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MERGULHAR NA SURPRESA
LETRAS E FICHA TÉCNICA

 

capa mergulhar

1. Soley Soley
(Fernando Arbex) BMG/ADDAF
Daniel: piano, voz, arranjo.
Maurício: voz.

ah, soley soley
soley soley
soley soley

 

2. Cachorra
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano, voz.
Maurício: voz, sax tenor, sax soprano, arranjo.

a cachorra da rua me carinha
quando eu chego numa cidade que não é a minha

eu digo: “hey fella!”
abano o rabo pra esse teu olhar de cadela velha…

 

3. Imbarueri
(Maurício Pereira/André Abujamra) Warner Chappell
Guello: pandeiro.
Daniel: piano, voz, assobio.
Maurício: voz, assobio, arranjo.

imbarueri
a linha de trem
um circo marrom

imbarueri
um simples pardal
revólver azul

imbarueri
Paris é New York
Tietê Tatuí

imbarueri
um índio tupi
um lobo guará

imbarueri
o galo cantou
o rato sorriu

imbarueri
um táxi feliz
só eu e você

'cê num sabe o que acontece ali…

 

4. Tudo Eu Te Dou
(Maurício Pereira/Daniel Szafran) Warner Chappell
Daniel: piano, voz, arranjo.
Maurício: voz.

prata
um castiçal
a chama pequena de uma vela acolhida por este castiçal

um pranto
ou um barco
são coisas que vão e vêm:
música, elementos místicos
dança, bailarinas bufas
circo, corpetes rotos, suor, make up
copinhos de água mineral
alecrim, musgo e elefantes

e em volta, nuvens de pó-de-arroz
ricamente embrulhadas em papel-manteiga
talvez muita gente vislumbre, mas
afastando as folhagens por entre tanta teia oculta
tenha certo que
tenha certo que
tudo o que te der na telha eu te dou

 

5. Wanda
(Paolo Conte) BMG
Mário Manga: bandolins.
Daniel: piano, voz, arranjo.
Maurício: voz, arranjo.

stai seria con la faccia ma peró
ride con gli ochi, io lo so
per oggi non ti scapo e stiamo insieme, io e te, io e te…
andiamo al ristorante in riva al mare
mi han detto que fan bene da mangiare
il vino bianco è fresco e va giu bene comme questo cielo grande su di noi

Wanda…mi abbracci forti e poi mi dai
un baccio i poi mi dici frasi
che non mi hanno detto mai
carezze qui
carezze la
tutte per me
che non ti ho dato mai niente
piano, si no ci vede la gente
Wanda… innamorati fin que vuoi
ma non ci siamo solo noi…

Io sto a gurardar la tua felicita, mi chiedo quanto durerà
lo so che ogni amore è sempre stato um breve sogno e niente piu, niente piu
però la vita è un’altra cosa, eh si, esempio abbandonarsi um puo cosi
sentirmi il suole in faccia e non vederte ma capir dalla tua mano che sei qui…

Wanda…

Intanto, io rifleto, chi lo sà, forse la vita è tutta quà
abbiamo un bel cercare nelle strade e nei cortilli, cosa c’è, cosa c’è?
c’è un mondo che si chiude si non ha un pugno di felicità
io sono sempre triste ma mi piace di sorprendermi felice insieme a te

Wanda…ti abbraccio forte i poi ti dò
un baccio i poi ti dico frasi che non avevo detto mai
carrezze qui
carezze là
tutte da me
che non ti ho dato mai niente
Wanda… scandaliziamo la gente…

 

6. Um Dia Útil
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano, voz.
Maurício: voz, assobio, arranjo.

de manhã eu levantei, fiz xixi
li o jornal
sem escovar o dente

tomei café com leite (como sempre correndo)
me arrumei, fui trabalhar
nem lembrei de dizer tchau pro povo lá de casa

fui tocar música com meus amigos músicos
e aí eu canto (o dia inteiro eu canto)
e canto, e canto, e canto, e canto

às vezes pra ninguém porque é um ensaio
às vezes pra ninguém mesmo não sendo ensaio
mas sempre junto com meus amigos músicos

e quando vai uma multidão
parece que eu sou tão importante
depois acaba tudo
e eu volto quieto pra casa

e quando eu chego lá em casa
tá todo o mundo dormindo
tá tudo escuro
escuro pra burro

eu fico olhando a rua pela janela de casa
é madrugada
eu sozinho com eles dormindo

desligo
a última luz da casa
vou dando trombada
até o quarto dos moleques

cubro eles, um por um
beijo eles, um por um
topeço um bocado
pra chegar na minha cama

eu dou
um beijo leve e demorado
nos cabelos
da minha mulher que dorme

eu tiro a roupa
eu deito acordado
eu tô nu
eu me cubro
olhos arregalados numa fresta de luz no teto

e eu sonho sozinho
com meu coração pequenininho
minha compreensão também pequenininha
do conjunto das coisas todas

eu, o medo da morte, e tudo o mais
sonhando sozinho, eu me pergunto
se quando a gente canta alguém presta atenção na letra

mas eu tento tentar dormir
e aí vem aquele monte de dúvidas
que a gente tem quando trabalha como artista

e vem fé e vem tristeza e vem alegria
e tesão e neura e fantasia
e dionísio e ditadura

e eu não sei, não sei, não sei, não sei…
eu pego no sono
eu preciso dormir um pouco
e sonhar muito

porque se o cara não descansa ele não canta direito
e não leva sustança
pro coração do cidadão comum

e amanhã é mais um grande dia
um dia comum de muito trabalho
um dia grande
que nem um diamante

um longo dia belo
um baita dia duro e lindo
e eu ganho pra estar brilhante
num dia útil

um dia útil
um dia útil
um dia útil

 

7. Música Serve pra Isso
(Maurício Pereira/André Abujamra) Warner Chappell
Paulo Freire: viola caipira.
Daniel: voz.
Maurício: voz, arranjo a capela.

se vivendo a minha vida
sinto a falta de alguém
a saudade me levanta
sai dizendo para mim
na tristeza dê um fim:
tecnologia é tanta!

microondas, avião
cumpra a sua função
calme um coração que sangra
com uma prova de carinho
ou pedaços de lembranças:
a voz de alguém um instante

e se um raio interromper
estrondoso e casual
essas ligações distantes
que o fogo de um vulcão
cuspa uma explicação
que esclareça lentamente

que o mundo é tão variado
tanta exclamação que às vezes
não se nota que é constante
que uma banalidade
gere uma canção gigante
entre numa rádio e cante

música serve pra isso

 

8. Tranqüilo
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano, arranjo.
Maurício: voz, sax soprano, arranjo.

no dia em que tu partiste
não me entreguei a um chilique
tão quieto que eu me mantive
não gritei pedindo "fique!"
nem nada que identifique
pedaços de bad trip…

no dia em que tu partiste
(e isso eu nunca te disse)
não tive deprê ou crise
só concluí que existisse
dentro da minha psique
um carnaval alegre, outro triste

carnaval feliz consiste
em juntar beleza e chiste
bom pra quem brinca ou assiste
dançar lambada ou twist
voando de esputinique:
um anjo, um pagé, um cacique

já no carnaval fudido
o sujeito fica rendido
feito um pandeiro caído
rodando desentendido
latindo um samba sentido
que chega a ferver no ouvido

se eu sentisse diferente
olhava na minha frente
entregue completamente
e recebia inocente
como quem ganha um sorvete
o amor, num abraço quente

mas dessa capacidade
não tenho facilidade
e aos trinta anos de idade
entendo pela metade
odeio e sei que é verdade
que existe a dor e a saudade

tranqüilo, rapaziada
pra mim eu não quero nada
pois em se tratando de mágoa
eu tenho a alma lavada
naquela poça encarnada
onde a moça bebe água

tranqüilo, rapaziada
tranqüilo:
pode crer…

 

9. Tu
(Mauricio Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano, voz, arranjo.
Mauricio: voz, arranjo.

oi…
cumé que tá tu
eu vou te contar
saudade incrível de você
bonita pra danar
me deixa eu te olhar
tô louco pra te abraçar
logo, logo, logo, logo, logo, logo, logo, logo, logo…

ei…
você se escondeu?
sumiu do país?
parece que desintegrou…
agora cê tá aqui
vamo aproveitar
fazer um puta carnaval
muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito…

ah…
demais, você tá
de novo no lar
fazer cafuné
no sofá deitar
assistir tevê
pipoca comer
de noite nanar
depois acordar
sair pra ir trabalhar
voltar nunca mais…

 

10. Ironia
(Paulinho da Viola) Tapajós
Guello: pandeiro, tamborim.
Daniel: piano.
Maurício: voz, sax tenor, arranjo.

jogam para mim
um sorriso de ironia
sabem que a minha alegria terminou
quero sorrir, não consigo
sinto meu peito ferido
envolvido por esse amor

algo no meu rosto denuncia
que perdi minha alegria
meu amor me disse adeus
não sei como alguém fica contente
quando sabe que a gente não esquece o que perdeu

 

11. Pan y Leche
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano, voz.
Maurício: voz, arranjo.

yo quiero estar contente
eu e toda a minha gente
yo quiero
pan y leche

que se possa ir pra frente
ser bonito e inteligente
(sempre)
pan y leche

e que apesar do presidente
tenha casa, escola e dente
fartamente
pan y leche

e que numa noite quente
por acaso chova e vente
(que bom!)
pan y leche

bem agora, de repente
ter você na minha frente
rente
pan y leche

e que quando a gente deite
sonhe sossegadamente
que nós somos
pan y leche

tchau, tchau, tchau, arrivederci
yo me voy tranquilamente
sente
pan y leche

anticonstitucionalíssimamente
queremos
pan y leche

 

12. Mergulhar na Surpresa
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Mário Manga: violoncelo.
Daniel: piano.
Maurício: voz, sax soprano, arranjo.

um cachorro parou na porta
latiu

um biscoito que eu tinha nas mãos
quebrado

o pé-de-serra, a borda-da-mata:
lua cheia

quatro superjumbos cruzam o céu no espaço
de dez minutos
piscando

na verdade ainda estou parado na porta
com um biscoito quebrado nas mãos
imaginando

imaginando o que o menino quis dizer com
“mergulhar na surpresa!”

 

13. Estrelas
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano.
Maurício: voz, arranjo.

estrelas coloridas de papel
são jóias falsas presas lá no céu
e quando eu ergo o olhar pro firmamento
juntinhas elas cantam desse jeito:
"cada estrela que tem nos teus olhos
é um reflexo da luz do teu olhar
nós achamos que isso quer dizer
que tu estás a amar"

cometas fulgurantes de latão
no meu telhado tem mais de um milhão
e quando eles pipocam seus estalos
até me dá vontade de beijá-los
o cometa que tem nos teus lábios
tem a calda gelada da paixão
que umedece as folhas do luar
com o meu coração

a terra nos meus braços a girar
é uma moça linda a festejar
sacode largos trechos do universo
no qual a gente vive submerso
lavradores que plantam planetas
vão lançando sementes de ilusão
que atravessam o espaço sideral
em minha direção

cometas fulgurantes de latão
castelos transparentes de cristal
cabelos perfumados de neon
teus seios caminhando em minha mão
bonecas cravejadas de marfim
cervejas espumando no portão
teus olhos no verde da plantação
suaves diamantes no capim
opalas turmalinas feito o sol
rochedos gigantescos de algodão
revistas espalhadas pelo chão
e o meu coração.

 

14. Coyote (Coiote)
(Maurício Pereira/versão: Maurício Pereira) Warner Chappell
Eduardo Cabello: guitarra.
Daniel: piano, voz.
Mauricio: voz, arranjo.

I remember fine times we been together
and I'm sad because we are apart forever
all those lovely nights we spent watching TV
and the funny games we played
you and me…

oh my baby, little baby, come back home!
can't you hear this mad coyote crying alone?
if you come, I will be another man
and I promise:
I'll never beat you again

anyway
if I don't find the place you hide
well, I think I gonna suicide
please, my darling, let me see your pretty face
take this crawling reptile from his sad disgrace…

eu me lembro, tempos bons, a gente junto
hoje eu choro a dor mais triste deste mundo
lindas noites, só nós dois, vendo tevê:
divertidas brincadeiras com você…

volta logo
vem correndo para mim
não percebes que eu estou morrendo assim?
você vem e eu serei outro rapaz
e eu prometo:
não te bato nunca mais

escuta só
se eu não consigo te encontrar
acho até que eu posso me suicidar
pois querida, sem a luz do teu olhar
sou um triste réptil cego a rastejar…

 

15. Recipiente - a jam
(Maurício Pereira/Skowa) Warner Chappell
Skowa: voz.
Luiz Waack: violão de nylon (canal direito), violão solo.
Daniel: violão de aço (canal esquerdo).
Maurício: voz.

sou recipiente e não tenho forma
porque sou areia do fundo do mar

sou ilha, sou montanha
que o navio perdido vai avistar
flutuo, mergulho, sólido, interno
secreto, pesado, sujeito a voar

sou recipiente...

sou o sol que bate na crista da onda
que a lua à noite vai abraçar
e quando a vejo lá no horizonte
nosso amor a tarde afoga devagar

sou recipiente...

sou nuvem pousada no canto dos vales
que o vento carrega deixando enxergar
a diferença entre um dia e a noite
a diferença entre a serra e o mar…

 

16. Inventor Brasileiro
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Paulinho Lepetit: baixos elétricos.
Daniel: piano.
Maurício: voz, arranjo.

era uma vez no meio do Brasil
num dia lindo feito outros mil
um inventor brasileiro a pé
come fubá, bebendo café…

um sentimento
um instrumento
para servir a população

por um momento
dá um alento
gera alegria na multidão

horas de busca
formas de luta
armazenando imaginação

ir generoso
belo e formoso
mesmo em confronto com a equação

no travesseiro
se numa noite
se desencontra a tua função

deus te acompanhe
dentro da angústia
atravessar pela solidão

gênios aos montes
tem pelas ruas
mil leopardos babando em vão

jogos de turmas
festas nas praças
potentes fontes de informação

simples inventos
feitos na hora
causem nenhuma assombração

caso um pedestre
pela janela
seja atraído pelo trovão

de uma idéia
sendo partida
pelo reflexo de um artesão

povo brilhoso
meu conterrâneo
consulta agora o teu coração

entrega o ouro!
entrega as pizza!
mas não entrega o filé minhom

de mão beijada
pra algum esperto
nossa namorada, a invenção

era uma vez no meio do Brasil
muito depois do ano 2000
salva de palmas pra alguém qualquer
um inventor brasileiro a pé…

 

17. Curitibana
(Tonico/Tinoco/Pirigoso) Fermata
Daniel: piano, voz.
Maurício: voz, arranjo.

eu vou partir
nessa madrugada
foi minha namorada
que mandou me chamar
eu vou pegar
minha besta ruana
trago a curitibana
que está no Paraná

adeus, adeus
minha companheirada
guarde minha boiada
até quando eu voltar
eu vou buscar
a cabocla serrana
linda curitibana
com quem vou me casar

quando eu cheguei
prendo golpe doído
ela tinha morrido
para o céu foi morar
quanto eu chorei
minha sorte tirana
adeus curitibana
e adeus Paraná…

 

18. Quem é Quem
(Maurício Pereira) Warner Chappell
Daniel: piano, voz.
Maurício: voz, sax tenor, arranjo.

forma de dizer todo o mundo tem
o problema é que falar dá sempre errado
o alicate perigoso, o bebê chorão, um carteiro inteligente
são fatos da vida, mas…
olha um homem indo de joelhos para Aparecida
se ele não tem com quem falar
o que pergunta a alguém pra se informar?
quantos mil tratos necessita
pra restabelecer uma confusão
que afaste o inexorável sem nenhum remorso?
(CABEÇA! CORAÇÃO! PISTOLA! CANHÃO!)

quem é quem pra dizer quem é o quê?
quem é quem pra dizer quem é o quê?

bonito o comprimento do seu tailleur…
reparou que o coletivo tava sem chofer?
se eu apanhar uma goiaba, eu posso comer?
amar é dever
dever é poder
poder é querer
querer é talvez
pagar sem levar
lavar sem passar
mulheres sem par
internacional!
corar ao sorrir…
e pára de apontar esse dedo pra mim!
(CURARE AO SORRIRE!!!!!)

quem é quem pra dizer quem é o quê?
quem é quem pra dizer quem é o quê?

bela, bola, bala, bule, bolo, bile, baba, bife
bunda, balde, bonde, banzo, bisca, besta, lata de bolacha
bole, bole, bufa, tranca, francamente bonequinha
bilro, burguer, bic, miss
come on babe, do you want a kiss?
vai voando pra Lisboa minha doce professora
traz biroscas, um boulevard…
e o autógrafo do Fernando Pessoa!
(AH! MAS QUE DELÍCIA DE PESSOA…)

quem é quem pra dizer quem é o quê?
quem é quem pra dizer quem é o quê?

tudo passa por aqui
você…
eu…
devorteia carrosel!
(COMPREENDEMOS TUDO????? COMPREENDA…)

quem é quem pra dizer quem é o quê?
quem é quem pra dizer quem é o quê?

 

19. Modão de Pinheiros (ou
“É por Isso que as Pessoas Mudam de Bairro”)

(Maurício Pereira) Warner Chappell
Tonho Penhasco: guitarras, arranjo de guitarras.
Daniel: voz.
Maurício: voz, arranjo a capela.

foi no bairro de Pinheiros
que eu me entreguei por inteiro
para uma linda moça
que descia a Rebouças

ela entrou na Henrique Schauman
eu logo perdi a calma
virando na Teodoro
eu falei: "eu te adoro"

respondeu-me "deixa disso!"
na Benedito Calixto
e eu fiquei chorando à toa
na calçada da rua Lisboa

mas a sorte foi bacana
e na Cristiano Viana
vi alguém descer contente
desde a Capote Valente

era a moça que se fora
que voltava da João Moura
nós ficamos apaixonados
fomos pra a Dr. Arnaldo

a moça então falou "vem cá que o caso é sério,
vem aqui comigo para o cemitério"
eu disse "minha pequena
comigo não tem esquema
ou nós vamos pro cinema
ou pra a Vila Madalena"

zum!!!

ela então sumiu e me deixou mal
eu desci correndo a rua Cardeal
fui me arrastando a pé…
e emboquei na Sumaré

aí eu fui pro Itaim
e nunca mais se ouviu falar em mim…

e é por isso que as pessoas mudam de bairro.




produzido por Maurício Pereira
co-produzido por Daniel Szafran (pré-produção, gravação), André Magalhães (mixagem) e Adriana Bueno (executiva).

produtor fonográfico: Lua Music
direção geral: Thomas Roth
direção artística: Zé Luiz Soares
direção de comuncação: Moisés Santana
direção musical: Maurício Pereira
pré-produção: Daniel Szafran e Maurício Pereira
conceito dos arranjos: ver em cada faixa
gravado e mixado no Estúdio Zabumba, em São Paulo, jan/maio de 98 gravação: Alexandre Marques e André Magalhães
pesquisa de mixagem: André Magalhães, Demétrius Amaro e Maurício Pereira
mixagem: André Magalhães e Maurício Pereira
masterizado na Cia de Audio, em São Paulo, junho de 98
masterização: Flávio Nascimento
concepção da capa e fotos: Gal Oppido
desenvolvimento gráfico: Helenice Diamante



Tem um monte de gente que foi superimportante no caminho desse disco, cada um do seu jeito, e por mil razões. Então, eu quero mandar um grande beijo pra essas figuras aqui, ó:

a Adriana Casagli Bueno, que tá chegando com a energia superboa dela pra pôr ordem no terreiro (mais a Aidê e a Rosana), o Luiz Giope, o Célio da Fritz Dobbert/Kawai, o Beto da Karen, a Beth e o Sion, o Christian Pedersen, o Franja e o pessoal da Companhia de Audio, o Marcelo, vulgo Galo, meu irmão, e a Construnet, o Demétrius Amaro, o Joaquim Torres e a Isabel Gosuen, do Dialdata, o Egidio Conde, o pessoal do Estúdio Zabumba (o Peninha, o Sérgio, o André, a Lurdes), o Evaldo Luna, o Fernando Meirelles e o pessoal da O2 (pelo clipe de “Tudo por Ti”), o João Ramirez que produziu o show da internet), e mais o LSI da USP e a Next Sistemas, a Patrícia Galvão e o Márcio do KVA, a Luciana Rangel, a Malu, a Adriana do Guaracy, a Rô do Cabello, o Márcio, meu outro irmão, e o pai e a mãe também, com um carinho danado, o Wilson e o Marcos da Mellótica, a Miriam Ramos e o Wellington da Musical FM, a Nanete Neves, a Paula da Tinitus, o Pedrão Mangabeira e a Eliana, o Pedrão do Piratininga Bar, as rádios Alternativa FM, Bit FM, Cidadã FM, Conexão FM, o pessoal da Cultura AM de São Paulo, Enseada FM/Santos, Vanguarda/Rio, Leste FM, Paulista Plus FM, USP FM, Vitrola FM, XI FM, o pessoal da TV Cultura, o Rui Amaral, o Marcelo Sommer, a Taís Ruiz, a Rossana Decelso, a Banda Paralela, a brava rapaziada que já passou pela Natra (o Eli, o Fon, o Cabello, o Daniel, e ainda o Bone, o Gersão Surya, o Maita, o Matias), fazendo dela sempre uma banda briosa, furiosa, conceitual, expressiva. O pessoal da gravadora, a Atração, que eu tô conhecendo agora, aos poucos, e que recebeu o meu trabalho com muito carinho, e em especial o Natale, que assim como o Dino Vicente, o Peninha Schmidt, o Renato Sakata e o João Bandeira, a Marília e o Bertoni, é uma figura pra trocar mil idéias, conversar mole ou duro, utopiar ou filosofar, à brinca ou à ganha. E ainda mais três entidades, que sumiram no ano passado (e o povo daqui sente uma falta surda): o Cláudio Bone, uma figura lendária e intensa (que a gente nunca esqueça um músico assim especial como ele); a Soninha Higa, hiperquerida, um anjo-da-guarda de tantos músicos, inclusive eu, e tem muito a mão dela nesse disco; e o Bove, que eu ia lá consertar o sax e o astral dele era sempre tão bom que eu saía de lá consertado também.
E os músicos que participaram desse disco, cada mestre… se eu contasse pra vocês o que foram as gravações, isso aqui virava um livro enorme, cheio de personagens complexos e fabulosos do pop aqui da minha terra natal, queridos e criativos, como o Tonho, o Skowão, o Paulinho Freire e o Paulinho Lepetit, o Luizinho, o Guello, o Cabello, o Manga: não é mole, não… E tem o Gal, que fez a capa, divertido e vertiginoso: um carrossel com mil slides. E trabalhar com o André Magalhães (que me chamou pra gravar lá no Zabumba) foi uma escola: teve aula e teve recreio… E o Daniel: sem a energia (elétrica? acústica?) fina dele, esse disco simplesmente não existiria. Pela música, pelo carinho, pela diversão, a garra, a parceria forte em tantos assuntos e momentos: esse cara é meu irmão. E pra terminar, a Lu, amor, musa, pilota de provas de canções, que me ajuda a enfrentar a turbulência, às vezes consegue até pentear o meu cabelo e ainda fabrica molecada comigo: beijo pro Tim e pra a Manu!
Adendos a jato pra a reedição 2001 da Lua: o primo Romy e suas comidas, o pessoal da Lua que pôs uma fé, Thomas, Zé Luiz, Vera, Michelle (e também no disco novo que vem ai), a Isabel Gosuen, agora pelo Art-Bonobo, os manos Edson Natale e Paulinho Baroukh, sempre filosofando e minhocando junto, e, afinal, beijo pro Chico, mais um moleque fabricado com a Lu um dia desses...

 

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