8. Toscana - 5:17
(letra e música: Mauricio Pereira) bateria Leandro Paccagnella baixo Mano Bap guitarra Tonho Penhasco violão de aço Luiz Waack voz, sax soprano Mauricio Pereira
canzoni triste e ovvie
che parlano di saudade
quem tá cantando elas?
(eu escuto de longe)
canzoni cantate in riva al mare
(dove non c'e mare)
canzoni che riportano ricordi sorridenti
di ragazzini chiassassi ma giá svaniti…
pequenas idéias
desaparecidas juntas
desaparecidos juntos
desaparecidos pequenos
pequenos espaços
no vácuo que eu carrego em mim há tempos…
insomma
ci manca qualcosa
não tenho por quê brincar:
cadê a algazarra louca
de quei vecchi giovani compagni?
canzoni di poche note
poche parole
– de penumbras –
che si cantano ad occhi chiuse
che si ascoltano ad occhi chiuse
que se fazem sentir…
che fanno il cuore denso:
que fazem do coração um forno aceso
e eu tambem sei cantar
(algumas vezes eu até sou capaz de cantar…)
e alcune volte canto, canto…
canto
canções antigas em línguas mortas
e ao cantar fecho os olhos
e eles me levam direto a você entre as nuvens
(direttamente a te tra le nuvole…)
che non mi lascian veder il mare
(dove non c’è mare…)
que reflete a lua
(quando non c'e luna…)
ma lo so che c’è
(c’è mare… c’è luna…)
chi lo sa…
ed ogni canzone é una calda lettera
che ti scrivo mentalmente
lentamente
senza parole
cartas borradas pela maré
e as letras viram manchas de azul
(lacrime blu versate da occhi chiusi)
que jamais vertem lágrimas
que apenas vêem mar
(onde não tem mar…)
mar onde não tem mar
ainda mentalmente
(lentamente…)
però ancora ad alta voce
(intensamente…)
continuo cantando
queste canzoni ancestrali
poche parole
poche note
melodia nenhuma…
(canções das quais só se escuta os silêncios)
canzoni che parlano de saudade
vc sabe o q é?
saudade…
e eu sinto tua presença
aqui
agora
bem forte
aqui
qui…
- Abbracciami!
e ganho um abraço onde não tem abraços…
tua temperatura, teu peito, teu ventre
o teu tamanho, a penugem do teu pescoço
todo o tempo que dura
– e todo o comprimento –
da tua respiração
eu sinto
eu sinto
no corpo e no espírito
un’allegria intensa
o calor delirante
dentro e fora de mim
sozinho e com você
com você
(onde não tem você…)
in riva al mare
(dove nun c'è mare…)
dove non c’è mai stato
onde jamais houve
(mas eu sei que tem…)
insomma:
chi lo sa?
Spin BR-S5D-07-00008
9. Responde Visconde - 2:52
(letra e música: Mauricio Pereira) violão de nylon Tonho Penhasco violão de aço Luiz Waack vozes Mauricio Pereira
responde Visconde, responde Visconde
se a ventania
vai voar na minha cabeleira
feito a tesoura da cabelereira
responde Visconde, responde Visconde
se a raíz quadrada
transforma a árvore num labirinto
onde trepa a molecada
responde Visconde, responde pra mim
qual é a fórmula
do pó de pirlimpimpim
responde Visconde, responde Visconde
porque é que um circo
tem tanta bagunça e tanta brincadeira
que embanana o mico
responde Visconde, responde Visconde
se o arco-íris
vai colorir com suas 7 cores
o caminho que seguires
responde Visconde, responde pra mim
qual é a fórmula
do pó de pirlimpimpim
responde Visconde, responde Visconde
responde pra a gente
como é que uma simples espiga de milho
pode ser tão inteligente?
Spin BR-S5D-07-00009
10. Quieto Um Pouco - 4:22
(letra: Mauricio Pereira/música: Dino Vicente) bateria Leandro Paccagnella baixo Mano Bap violão de nylon Tonho Penhasco violão de aço Luiz Waack voz, sax soprano Mauricio Pereira
difícil notar
a idade que eu tenho
quando eu tô vivendo
difícil dizer
se é saudade que eu tenho
quando eu tô sentindo
vai amanhecer vou por aí sozinho
é…
difícil de crer
a certeza que eu tenho
quando eu tô tentando
difícil brecar
a alegria do vinho
quando eu tô te vendo
vai amanhecer vou por aí sozinho
é…
eu vou caminhar
só
vou subir um morro
olhar pra a cidade
ficar quieto um pouco
.....
difícil conter
tanta coisa que eu tenho
quando eu tou vazio
Spin BR-S5D-07-00010
11. Truques com Facas - 4:38
(letra e música: Mauricio Pereira) guitarra Tonho Penhasco violão de aço Luiz Waack voz Mauricio Pereira
onde você aprendeu esses truques com facas?
você me corta de vez em quando
de vez em quando
você me cobre com um manto de veludo
me aquece, me faz parecer um rei
um rei que eu não sou
vc me prende com um beijo tão cansado
e eu sou os lábios de outro alguém
quem?
você me encanta com canções tão tristes
que o meu coração quer bater devagar
até quase parar
são truques com facas
que soltam faíscas
são truques com facas
são jogos, são iscas
são truques com facas
que soltam faíscas
vêm reto pro peito
e não deixam pistas
Spin BR-S5D-07-00011
12. Um Teco-teco Amarelo em Chamas - 3:12
(letra: Mauricio Pereira/música: Arthur de Faria) bateria Leandro Paccagnella baixo Mano Bap guitarra Tonho Penhasco guitarra Luiz Waack voz Mauricio Pereira
um teco-teco abatido em chamas
eu sinto o clangor da morte
voando por instrumentos
amasso cartões postais
um teco-teco abstrato em chamas
eu sinto o calor das pistas
suando sem instrumentos
agudos sons de cristais
um teco-teco aturdido em chamas
eu sinto o pavor das alturas
respiro por instrumentos
perfil contra o pôr-do-sol
o tico e o teco explodindo em chamas
eu sinto sabor de mangas
devoro sete instrumentos
pagão numa catedral
um teco-teco amarelo em chamas
Spin BR-S5D-07-00012
13. Penhasco - 6:19
(letra e música: Mauricio Pereira) bateria Leandro Paccagnella baixo Mano Bap guitarra Tonho Penhasco guitarra Luiz Waack voz cantada Mauricio Pereira voz falada Alice Ruiz
A
cidade me paga. Me paga algum dinheiro qualquer pra que tarde da noite
na madrugada de algum dia de semana eu saia da cidade e me mantenha
quieto e só contra a escuridão quieta e só da
noite quieta e estrelada ou não.
A cidade me paga. Me paga algum dinheiro qualquer pra
que eu vá sentar lá no penhasco, ali um pouco
além, junto do mar. Pra que exatamente eu fique ali um pouco
além dos limites da cidade (que repousa já não
tão à beira-mar...). Ali. Vigilante. E num certo sentido,
alheio.
E é no breu que
aflora o marulho vibrante. As baixas freqüências. O vento
frio é doce e obedece à vida noturna: que tipo de
resposta eles tão querendo que eu arranje imediatamente?
Será que eu sou só café-com-leite?
A cidade me paga. Me paga algum dinheiro qualquer, e
fica tudo por minha conta, tudo surdo, tudo apegado: a brisa do mar
– agora chorosa – volta a cantar. Me conta de flores
(já que as estrelas estão esgotadas). A meia-lua
não entra. Meia-noite e meia. E nada.
Rastros de nada, nada de certeza reta. Feliz ou
infelizmente, perguntas e mais perguntas. Esses leques de perguntas
não têm fim, são simples e sem
resolução. Matemáticas que não dependem de
mim.
E eu volto pra a cidade com
leques de perguntas sem fim. Sem chance. Eles querem respostas,
propostas, fatos, qualquer coisa visível a olho nu. Um simples
refrão já resolve, mata de contentamento. Mas por ora o
que temos são perguntas.
Pergunta, resposta, coisa nenhuma, ninguém:
eventualmente o vazio espesso sugere a sensação da
presença ou da ausência de um deus. E ele esteve ali,
agora mesmo, aos urros. E não deixou rastro um segundo depois
(tendo ou não estado ali um segundo atrás).
E uma breve vez os ruídos no precipício
foram sussurros de namorados. Eu me atirei pra a cidade, alegre.
Dúzias de canções de amor na mão.
Canções em que todos são felizes para sempre. Por
quase um dia ou dois.
Não.
Na noite seguinte eu já confrontava a figura
do penhasco na friagem marítima e a palavra especular tornava a
ter o sentido justo de uma noite alguém sair do centro da
cidade, transpor as muralhas, ir reto e lerdo pro centro da noite e nas
beiradas do penhasco se tornar micróbio, respirar fundo e, sem
pestanejar, saltar ligado, com os olhos bastante arregalados, rumo a
novas coisas nenhumas. Esquadrinhar com as unhas um momento de pedra
antes que ele atinja a velocidade do infinito. Ir dar de cara com
rochedos incertos, costões antigos, o gosto salgado –
gelado – das tais perguntas de sempre. Possíveis ou impossíveis
de fazer. Possíveis ou impossíveis de se perceber quais
são. Possíveis ou impossíveis de se entender onde
querem chegar.
E se incrustrar
à não presença largada lá, lembrando, mais
que escondendo, o quê e quem nos chegou pelas praias.
Lágrimas de saudade. Lágrimas de remorso. Sua
cabeça eternamente baixa. E um olhar que, enquanto isso, media
possibilidades... A cidade me paga. Me paga algum
dinheiro qualquer pra que tarde da noite, no meio da madrugada, eu saia
da cidade quieto e só e vá penetrar a vertigem a seco, e
vá perder o equilíbrio sobre o penhasco, além dos
limites da cidade, tipo assim um farol desnorteado que chorasse de dor
ao perceber que tenta clarear um caminho que não tem o poder de
enxergar com a alma.
Vigilante e mais além.
Imóvel e mais além.
Quieto e mais além.
Só e mais além.
Nada. E mais além.
Spin BR-S5D-07-00013
14. O Dourado - 2:10
(letra e música: Mauricio Pereira) violão de aço Luiz Waack violão de nylon Tonho Penhasco voz Mauricio Pereira voz André Abujamra
já é meio-dia no meio do rio
um raio de ouro atravessa a corrente
seu nome é uma lenda, provoca assobio
de todos os peixes ele é o mais valente
se eu fosse dourado eu fazia barulho
mostrava o meu manto coberto de orgulho
nadava com força contra a correnteza
pra ver se encontrava onde mora a beleza
dourado gigante que pula pro céu
cometa brilhante arrastando seu véu
êta peixe vivo, mais vivo que a vida
inunda o horizonte com a luz refletida
dourado na água, banhado no sol
sem medo de nada, faz pouco do anzol
na sua morada longe da cidade
o peixe de ouro vive em liberdade
Spin BR-S5D-07-00014
Agradecimentos:
As irmãs Andrea e Mônica Lopes, o Natale, meu mano e
filósofo otimista, a Cristiane Olivieri e a turma da Olivieri e
Signorelli (Super Lenora, Priscila, Willian, Paula), a Marina, q junto
c/o Luizinho meio me adotou durante a gravação, os
queridos Dino Vicente e Pena Schmidt, indispensáveis, os
superconvidados André, Skowão, Alice e Daniel
(parceirão de Pra Marte), o rei Arthur de Faria de Porto Alegre,
o Zé Luiz do Villaggio, sempre um parceiro, o meu irmão
Márcio, q catou a produção a unha, o super
gentleman Cristiano Mascaro e o retrato em branco e preto, a Rosangela
da revelação, a Cibele do bureau, o hiper gentleman
Luciano e a capa, a Biba e a Renata coopabacanas, a Adriana Bueno de
novo comigo, a Mônica Tomasi pelas dicas, a Cláudia
Pacheco, fono, pelo gogó, mais a Malu, a Teresa e a Eliete, q me
ajudaram a manter cabeça e corpo funcionando nesse meio tempo, o
pessoal querido da Lua Music (Vera, Izabel, Raquel, Junior, Alex,
Julio, Edu e o Thomas), o Fernando Yasbek e a turma da Spin (Daniela, e
antes a Edinise), o pessoal ótimo da UBC (a Leandra e o
Adevaldo/SP, Jair e Welington/Rio), o Alexandre e a turma da MCF, o
atencioso Márcio Gomes e o pessoal da gerência de PJ do
Itaú da Panamericana, a Lúcia Riff e a Miriam Campos da
BMSR, a Adélia Prado e a poesia dela (e q poesia, hein?), o Dani
e a cocalight diária, o Renatão e a master
mediterrânea c/direito ao cafezão da Maria Helena, o meu
parceiro palmeirista Osvado Colibri Vita, q me ligou c/a Antonella
Fossati, q me ajudou no italiano de Toscana, mais o Kurt Vonnegut Jr. e
o Santo Antônio. Os meus apoiadores, a Paula queridona (Gift
Express), o Kako (Usina Sonora), o Will (Mellótica) e a
Camisaria Nacional (o Ricardo e a Deborah). Ainda os meus
interlocutores na Petrobrás, os sempre gentis Sérgio
Laks, Ricardo Motta e Amanda Rodrigues, e o patrocínio
inestimável do Programa Petrobrás Cultural.
Aos músicos, Tonho, Luizinho, Mano e Leandro, pelo carinho e a
atenção q eles têm c/o meu trabalho. E pro povo
adorado lá de casa, Lu, Chico, Manu, Tim com seu violão e
mais a Carol, q me aturam mesmo qdo eu tou gravando disco, força
e alegria, pilotos de prova de canções, e mais Mãe
e Pai q tão sempre ali por perto, espiando de
coração.
direção musical: Mauricio Pereira
coordenação de produção: Márcio Pereira
assistentes de produção: Biba Fonseca, Renata Moreira Ferreira
assessoria de imprensa: Adriana Bueno/Bueno Comunicação
assessoria jurídica: Cristiane Olivieri/Olivieri & Signorelli Advocacia
assessoria contábil: Alexandre Trindade Fontes/MCF
gravação e mixagem: Dani Krotoszynski, no Waack Home Studio
masterização: Renato Coppoli, no Estúdio Zoing!
pré-produção: Mauricio Pereira, no Mocó
arranjos de base: Mauricio Pereira
projeto gráfico da capa: Luciano Pessoa/LP Estúdio
a foto da capa: Cristiano Mascaro
fotos dos músicos: Biba, Renata, Márcio
óculos: Mellótica - www.mellotica.com.br
camisas: Camisaria Nacional – www.camisarianacional.com.br
equipamento adicional: Usina Sonora – www.usinasonora.com.br
edições assinadas de “Pra Marte”: Gift Express – www.giftexpress.com.br
todas as músicas editadas por Spin Music - www.spinmusic.com.br
(exceto a parte de Adélia Prado em “Pranto para Comover Jonathan”)
distribuição Lua Music - www.luamusic.com.br
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